Denúncia aponta possível irregularidade na composição do Conselho de Meio Ambiente de São João da Barra
Uma carta aberta divulgada por entidades da sociedade civil levanta questionamentos sobre a composição e a condução do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMMADS) de São João da Barra, no Norte Fluminense.
Segundo o documento, o processo eleitoral realizado em dezembro de 2025 teria incluído, de forma considerada irregular, empresas com fins lucrativos em vagas destinadas à sociedade civil organizada – espaço que, de acordo com o regimento interno do conselho, deveria ser ocupado por associações, sindicatos e organizações sem fins lucrativos.
A carta menciona especificamente a participação do Porto do Açu Operações S.A. e de sua subsidiária, Reserva Ambiental Fazenda Caruara S.A., que teriam passado a ocupar assentos no colegiado. Ainda conforme o texto, o fato de as duas integrarem o mesmo grupo econômico levantaria dúvidas sobre a diversidade de representação dentro do conselho.
Outro ponto destacado é a eleição da Reserva Caruara S.A. para a presidência do CMMADS, em janeiro de 2026. Para os autores da carta, a situação pode configurar conflito de interesses, uma vez que o conselho tem entre suas atribuições a fiscalização de atividades com impacto ambiental no município.
O documento defende a anulação do processo eleitoral realizado em 18 de dezembro de 2025, o afastamento da atual presidência e a realização de novas eleições restritas a entidades da sociedade civil, conforme previsto no regimento interno.
Procuradas, as instituições citadas ainda não se manifestaram até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto para posicionamento.
A partir dos depoimentos das comunidades rurais de Mato Escuro e Água Preta, o filme revela como a expansão industrial e a implantação da linha de alta tensão transformaram o cotidiano local, expondo desigualdades sociais, riscos à saúde pública e a vulnerabilidade de um território historicamente agrícola e pesqueiro. As famílias relatam sintomas como dores de cabeça, náuseas, tonturas e dificuldades respiratórias, além do medo constante provocado pelo ruído e pelo odor das usinas.
O documentário dá visibilidade ao que não se vê, de forma poética. Mostra o que a população sente no ar, conectando a realidade do Norte Fluminense ao debate global sobre justiça climática, combustíveis fósseis e a urgência da transição energética justa.
Dirigido por Pablo Vergara e Patricia Rodrigues, o filme integra as ações do Observatório Socioambiental Terrapuri – iniciativa dedicada ao monitoramento e à produção de conhecimento sobre empreendimentos com potencial de impacto ambiental na região Norte Fluminense, onde o Porto do Açu abriga o maior complexo termelétrico em operação da América Latina.
Ficha técnica: Direção, fotografia e roteiro de Pablo Vergara e Patricia Rodrigues; produção executiva de Pablo Vergara; edição de Juan Pablo Diaz; produção associada da Earthworks (EUA); parcerias locais com as comunidades de Mato Escuro e Água Preta. Ano de lançamento e circulação: 2025.
Sobre o diretor: O fotógrafo e cineasta Pablo Vergara documenta há anos a resistência de pequenos agricultores e pescadores artesanais, impactados pelo avanço do Porto do Açu, um dos maiores empreendimentos privados da América Latina. Seu trabalho articula cinema documental e narrativa fotográfica, com reconhecimento internacional, incluindo o Prêmio de Excelência da Syracuse University (EUA), o 1º Lugar no International Photography Awards (IPA), na categoria Meio Ambiente (EUA), o Prêmio Internacional de Fotografia Profissional do Festival Internacional da Imagem (México), além de premiações no Tokyo International Foto Awards (TIFA) e no World Report Award (Itália).




