Sobre o
Empreendimento

O Complexo Termelétrico Vale Azul é um dos maiores projetos de geração de energia a gás natural do Brasil, localizado no município de Macaé (RJ), região estratégica conhecida como a “capital nacional do petróleo”. O empreendimento é formado por um conjunto de usinas termelétricas — Vale Azul I, II e III, Marlim Azul II e Litos Energia — além de infraestrutura de gasodutos e do Terminal Portuário de Macaé (TEPOR), responsável pela recepção e escoamento de insumos.

O projeto foi concebido para aproveitar a proximidade com o Polo de Cabiúnas, da Petrobras, um dos principais pontos de processamento de gás natural do país. Juntas, as usinas têm capacidade instalada de geração superior a 3 GW, energia suficiente para abastecer mais de 10 milhões de residências.

O complexo ocupa áreas próximas ao Rio Macaé e à zona costeira do município, onde já existem pressões ambientais acumuladas por atividades industriais e petrolíferas. Em fase de licenciamento ambiental pelo INEA e pelo IBAMA, o empreendimento tem gerado intenso debate sobre seus impactos sociais, econômicos e ambientais, especialmente quanto à qualidade do ar, uso da água e ocupação territorial.

Complexo Termelétrico Vale Azul — Macaé (RJ)

O Complexo Termelétrico Vale Azul faz parte de um conjunto de 17 empreendimentos energéticos e logísticos previstos para o município de Macaé, na região Norte Fluminense.
Desse total, 11 são usinas termelétricas movidas a gás natural, além de gasodutos, linhas de transmissão, uma unidade de processamento de gás natural (UPGN), o Terminal Portuário de Macaé (TEPOR) e o Complexo Logístico e Industrial Agrivale (CLIMA).

A dimensão e a concentração desses projetos formam um verdadeiro “cluster fóssil” — um dos maiores complexos termelétricos do país — que, segundo especialistas, ameaça a segurança hídrica e a qualidade do ar em toda a Bacia do Rio Macaé e das Ostras.

Riscos de escassez e poluição atmosférica

A instalação simultânea de múltiplas termelétricas, linhas e gasodutos na mesma região representa um grave risco de desabastecimento hídrico e poluição atmosférica severa.
De acordo com estudos técnicos citados pelo Instituto Internacional Arayara, o consumo de água dessas usinas pode comprometer a disponibilidade da bacia hidrográfica que abastece as cidades de Macaé, Carapebus e Quissamã, afetando dezenas de milhares de pessoas.

Além disso, as usinas emitem grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) e outros gases nocivos, como NO₂ e SO₂, que contribuem para o agravamento das mudanças climáticas globais e para doenças respiratórias na população local.

O IBAMA, em nota técnica, reconheceu oficialmente que é necessário “avaliar a capacidade de suporte da bacia aérea e hídrica de Macaé, de maneira a resguardar a qualidade ambiental do município”.
Enquanto isso, o licenciamento das usinas segue dividido entre o INEA (órgão estadual) e o IBAMA, o que impede a avaliação conjunta dos impactos cumulativos.

Ações judiciais e pedidos de intervenção

Em resposta à fragmentação do licenciamento, o Instituto Internacional Arayara moveu uma série de Ações Civis Públicas (ACPs) entre 2022 e 2023, tanto na esfera federal quanto estadual.
Essas ações questionam a regularidade dos processos conduzidos pelo INEA e pedem a suspensão imediata das licenças até que sejam realizados os estudos devidos.

Os principais pedidos são:

  • – A realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) abrangendo todos os empreendimentos da bacia do Rio Macaé;

  • – A atualização dos planos de disponibilidade hídrica da região;

  • – A criação de um inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE);

  • – E a transferência dos licenciamentos para o IBAMA, dada a magnitude e a interdependência entre os projetos.

“Somente após a realização desses estudos será possível avaliar os reais impactos à saúde da população e ao meio ambiente. Qualquer licença concedida antes disso é precipitada”,
afirma Ivens Drumond, coordenador de advocacy da Arayara.org.

Termelétricas que compõem o complexo

As 11 termelétricas do complexo estão em diferentes fases de licenciamento, sendo 8 sob análise do IBAMA e 3 sob o INEA.
Entre elas estão:

  • UTE Vale Azul I, II e III – da empresa Vale Azul Energia S.A.

  • UTE Marlim Azul I e II – da Marlim Azul Energia S.A.

  • UTE Nossa Senhora de Fátima – controlada pela Global Participações em Energia

  • UTE Litus 1, 2, 3 e 4 – da Litos Energia Ltda.

  • UTE Jaci e UTE Tupã – da Global Participações em Energia

  • UTE EDF Norte Fluminense – da EDF Norte Fluminense S.A.

Essas usinas estão projetadas para operar com gás natural proveniente da Bacia de Campos e do pré-sal, conectadas por gasodutos às bases da Petrobras em Cabiúnas (TECAB) e ao Terminal Portuário de Macaé (TEPOR).

Conexões e infraestrutura associada

Além das usinas, o complexo inclui:

1.  Duas linhas de transmissão de 500 kV, interligando as UTEs Vale Azul e Marlim Azul à subestação Lagos;
2.  Um gasoduto de distribuição de gás natural, que conecta o TECAB à UTE Marlim Azul;
3.  Unidades de drenagem e retroárea primária/secundária, com grande movimentação de solo;
4.  E a ampliação da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) em Cabiúnas.

Essas obras, embora apresentadas como projetos individuais, fazem parte de um único sistema energético interligado — o que, segundo os estudos apresentados nas ações, viola o princípio da avaliação integrada de impactos ambientais.

O contexto climático e a transição energética

O Brasil é signatário do Acordo de Paris e comprometeu-se a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.
No entanto, a expansão da geração termoelétrica a gás natural segue na contramão dessas metas.

“O país ainda aposta em fontes fósseis que aumentam o custo da energia, ampliam as emissões e reduzem a competitividade da indústria brasileira”,
explica Juliano Bueno de Araújo, diretor técnico da Arayara.org.

A organização alerta que insistir nesse modelo é “um atentado contra a vida e o clima”, e reforça que o Brasil tem potencial para substituir o gás natural por fontes limpas e sustentáveis, como a solar e a eólica, com geração distribuída e menor impacto ambiental.

Documentos

LICENÇAS AMBIENTAIS

  • ACP nº 5003643-89.2022.4.02.5116 (TRF2)

  • Parecer Técnico IBAMA sobre a Bacia de Macaé

  • Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) das UTEs Vale Azul, Marlim Azul e Litos

LICENÇAS DE OPERAÇÃO

  • ACP nº 5003643-89.2022.4.02.5116 (TRF2)

  • Parecer Técnico IBAMA sobre a Bacia de Macaé

  • Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) das UTEs Vale Azul, Marlim Azul e Litos

RECURSOS HÍDRICOS

  • ACP nº 5003643-89.2022.4.02.5116 (TRF2)

  • Parecer Técnico IBAMA sobre a Bacia de Macaé

  • Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) das UTEs Vale Azul, Marlim Azul e Litos

RELATÓRIOS TÉCNICOS

  • Parecer Técnico IBAMA sobre a Bacia de Macaé

    Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) das UTEs Vale Azul, Marlim Azul e Litos
1

ATRACAÇÃO NO T2

AA nº IN050670
Atracação e berços de plataformas de
petróleo e barcos de apoio ao longo do
canal e molhe sul do Terminal 2.

2

DRAGAGEM T2 – CANAL E CAIS

LI nº IN042068
Dragagem de aprofundamento do Canal
de Navegação no Terminal 2 (offshore e
onshore).

3

LOCALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO TERMINAL 2

LP n° IN018985
Design e Localização de instalação portuária para cargas gerais,
granéis sólidos e líquidos, abastecimento da indústria offshore, etc.

LI n° IN023176
Construção de instalação portuária para movimentação de granéis
sólidos e líquidos, cargas gerais e cargas de projeto.

4

OPERAÇÃO DO TERMINAL MULTICARGAS

LO nº IN034002
Movimentação de granéis secos (bauxita, carvão, coque) e cargas
gerais (contêineres, cargas do projeto e granito); diversificação de
cargas de granéis secos (incluindo armazenagem temporária em
galpões cobertos); plataformas de petróleo em berços, barcos de
apoio e montagem de equipamentos na retroárea.

5

RECURSOS HÍDRICOS

OUT nº IN038837

 

6

RECURSOS HÍDRICOS

OUT nº IN038837

 

7

RECURSOS HÍDRICOS

OUT nº IN028801

 

8

LOCALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO TERMINAL 2

LP n° IN018985
Design e Localização de instalação portuária para cargas gerais,
granéis sólidos e líquidos, abastecimento da indústria offshore, etc.

LI n° IN023176
Construção de instalação portuária para movimentação de granéis
sólidos e líquidos, cargas gerais e cargas de projeto.

 

9

RECURSOS HÍDRICOS

OUT nº IN038837

 

10

INFRAESTRUTURA

LPI n° IN028199
Design da infraestrutura
comum do Terminal 2.

 

11

RECURSOS HÍDRICOS
CANTEIRÓPOLIS

OUT nº IN022389

 

12

ESTAÇÃO DE COMBUSTÍVEL

LAS n° IN046935
Localização, implementação e operação de
estação de abastecimento de diesel.

 

13

DEPÓSITOS DE AREIA 2 E 7

LPI n° IN030901
Localização e implementação
de dois depósitos de areia para descarte
de material de dragagem.

 

14

LOCALIZAÇÃO DO DISTRITO
INDUSTRIAL DE SÃO JOÃO DA BARRA

LP n° IN021311
Design e localização da infraestrutura comum do
Distrito Industrial de São João da Barra

 

15

PEDREIRA SAPUCAIA

LO n° IN016484
Localização, implementação
e operação da pedreira.

 

16

PÁTIO DE CARGAS

LI nº IN030949
Instalação de um pátio na área de Logística
e Complexo Industrial do Porto do Açu.

 

17

RECURSOS HÍDRICOS
CEVISPA

OUT nº IN001541

 

AA nº IN050670
Atracação e berços de plataformas de petróleo e barcos de apoio ao longo do canal e molhe sul do Terminal.

LI nº IN042068
Dragagem de aprofundamento do Canal de Navegação no Terminal 2 (offshore e onshore).

 

LP n° IN018985
Design e Localização de instalação portuária para cargas gerais, granéis sólidos e líquidos, abastecimento da indústria offshore, etc.

LI n° IN023176
Construção de instalação portuária para movimentação de granéis sólidos e líquidos, cargas gerais e cargas de projeto.

 

Audiências Públicas

As audiências públicas são momentos essenciais para garantir transparência e participação social em projetos de grande impacto ambiental, como o Complexo Termelétrico Vale Azul, localizado em Macaé (RJ).
Nessas reuniões, a comunidade, especialistas, autoridades e empreendedores se reúnem para debater os efeitos sociais, econômicos e ambientais das usinas termelétricas e das obras associadas — como gasodutos, linhas de transmissão e o Terminal Portuário de Macaé (TEPOR).

As discussões abordam temas como licenciamento ambiental, uso dos recursos hídricos, emissões de gases de efeito estufa e riscos à saúde da população, além dos possíveis impactos sobre a bacia hidrográfica do Rio Macaé e as condições climáticas da região.

Abaixo, estão reunidos vídeos e gravações de audiências públicas já realizadas sobre as usinas Vale Azul I, II e III, Marlim Azul, EDF Norte Fluminense, entre outras que compõem o cluster termoelétrico de Macaé.
Esses encontros são fundamentais para que a sociedade civil possa expressar suas preocupações, contribuir com questionamentos técnicos e participar ativamente das decisões que moldam o futuro energético do território fluminense.

Audiência Pública – UTE MARLIM AZUL II
Data: 05/10/2023
Descrição: Audiência Pública, (AP) realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, para o projeto da Usina Termelétrica (UTE) Marlim Azul II. Processo do licenciamento ambiental SEI IBAMA: 02001.026078/2022-93.

Audiência Pública – Projeto de implantação da Usina Termelétrica Norte Fluminense 2, em Macaé
Data: 07/10/2020
Descrição: Audiência pública organizada pela ETC  para discutir a viabilidade do projeto de implantação da Usina Termelétrica Norte Fluminense 2, em Macaé. O encontro online foi realizado pela EDF, empresa responsável pelo projeto.

Clipping

Abaixo, você encontrará uma seleção de matérias sobre o Complexo Termoelétrica Vale Azul, abordando diversos aspectos relacionados a conflitos socioambientais, decisões judiciais e impactos regionais. Cada link leva diretamente à matéria original, onde você poderá explorar os detalhes completos das discussões e acontecimentos.

  • Título: CBH Macaé participa de audiência pública sobre a Usina Termelétrica Marlim Azul II
    Publicação: Comitê de Bacia Hidrográfica Macaé Ostras (comitemacaeostras.org.br)
    Data: 7 de novembro de 2023
    Link da Matéria
  • Título: Instalação de termoelétricas em Macaé é questionada por ONGs e cientistas
    Publicação: Arayara (arayara.org)
    Data: 23 de fevereiro de 2022
    Link da Matéria
  • Título: RJ: Macaé receberá Audiência Pública do processo de licenciamento do Projeto Raia, da multinacional Equinor
    Publicação: Site Prefeitura de Macaé (macae.rj.gov.br)
    Data: 20 de março de 2025
    Link da Matéria
  • Título: Ambientalistas tentam barrar na Justiça projetos termelétricos em Macaé
    Publicação: Eixos (eixos.com.br)
    Data: 11 de novembro de 2022
    Link da Matéria
  • Título: Plano de complexo com 15 termelétricas em Macaé pode esbarrar na falta d’água e acende alerta
    Publicação: O Globo (oglobo.globo.com)
    Data: 31 de julho de 2022
    Link da Matéria

Vídeos

Referências e Links

ACP nº 5003643-89.2022.4.02.5116 – TRF2:
Link

IBAMA – Nota Técnica sobre Capacidade Hídrica da Bacia de Macaé:
Link

INEA – Processos de Licenciamento das UTEs:
Link

Instituto Internacional Arayara – Relatórios Técnicos:
Link

Relatórios EIA / RIMA das UTEs Vale Azul, Marlim Azul e Litos:
Link

Ofício nº 016/2023 – Marlim Azul Energia:
Link

Pareceres sobre emissões de GEE e recursos hídricos:
Link

Relatório de Impacto Ambiental (RIMA):
RIMA LLX Terminal Sul

Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Complementar:
EIA Porto do Açu – Pátio Logístico e Operações Portuárias

Avaliação Ambiental Estratégica (AAE):
AAE Porto do Açu

Estudo de Impacto Ambiental – Sustentabilidade:
Vast Infraestrutura – Sustentabilidade

Fragilidade no Processo de Licenciamento Ambiental: 
Fragilidade no Processo de Licenciamento do Complexo Portuário de Açu

Fazendo Negócios no Porto do Açu:
Guia de Negócios Porto do Açu 2020

Licença de Operação – LO nº IN034002:
LO IN034002 – Porto do Açu

Publicações no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro:
Publicação Oficial 1
Publicação Oficial 2

Ação de Reintegração de Posse pelo CODIN:
GSA – Agravo

Estudo de Caso sobre Conflitos Ambientais:
A Implantação do Porto do Açu – Estudo de Caso

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Complexo Termoelétrico Vale Azul